Ela assistiu ao teatro, pela primeira vez.
E saiu encantada, do alto dos seus 6 anos. Tirou foto com os atores, recontou a história toda.
Algumas horas depois, enquanto eu conversava com seu pai, ela me pergunta:
- O nome dela era Aurora mesmo?
- Sim. O que você acha?
- Mesmo?
- Mesmo.
Ficou silenciosa, brincando com a comida no prato, e nós seguimos conversando, assunto de adulto.
- Mas, tia Fê, o nome dela é Aurora do mesmo jeito que o seu nome é Fernanda?
Jeito fofo de entender o teatro.
ser chuva é cair por aí, virar poça, barro, carregar barquinho de papel, brincar com o arco-íris... fazer a terra cheirar, ser gota que brilha na folha... cabeça cheia de idéia, às vezes tem que chover em algum lugar. o que vira? sei não.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Escrevo porque transbordo.
Um porção de sentimentos toma conta de mim, e eu já não sei mais nomeá-los ou diferenciá-los.
Pode ser que eu esteja carente demais.
Pode ser o cansaço, que beira o extremo, o máximo do que eu já experimentei.
Podem ser as cervejas, depois de tanto tempo de abstenção.
O fato é que transbordo, e já não sei nomear o que vai dentro de mim.
Por hora sinto-me triste, de tristezas alheias que me dominam. Queria ser grande para abarcá-las, forte para destrui-las, corajosa o suficiente para assumi-las. Não posso. Sou humana, e, como tal, covarde.
Sinto-me também diminuída, ego ferido, menosprezada. Nada que uma boa roda de samba não cure. Mas o carnaval está me dando trabalho, e preguiça. Muita preguiça.
Quero o mar. Ah, como eu o desejo.
Vontade de amar, e ser amada. Desejo de gerar. Filhos, projetos, realizações. Não consigo definir. Desejo de ser mãe, sejá lá do que for.
Pergunto-me se não estou agindo como uma adolescente mimada, e se não estou ignorando o meu papel no mundo. Mas não sei que papel é esse, que lugar é esse, a que eu vim, o que esperam de mim. Comporto-me, às vezes, como uma criança perdida. Outras vezes, como uma velha que se esqueceu de morrer.
Mal humor, euforia, entusiasmos, descrédito. Tantas variações, em tão pouco tempo. Horas.
Quero o céu. E a Lua. Cheia, redonda, imensa. E São Jorge, e o dragão. Eu os quero, inteiros, só para mim.
Se estou eu inteira, já não sei dizer. Sou pedaços, fragmentos, indícios. Em que parte da vida eu deveria estar? Alguém me responda, por favor, porque eu já não o sei
Um porção de sentimentos toma conta de mim, e eu já não sei mais nomeá-los ou diferenciá-los.
Pode ser que eu esteja carente demais.
Pode ser o cansaço, que beira o extremo, o máximo do que eu já experimentei.
Podem ser as cervejas, depois de tanto tempo de abstenção.
O fato é que transbordo, e já não sei nomear o que vai dentro de mim.
Por hora sinto-me triste, de tristezas alheias que me dominam. Queria ser grande para abarcá-las, forte para destrui-las, corajosa o suficiente para assumi-las. Não posso. Sou humana, e, como tal, covarde.
Sinto-me também diminuída, ego ferido, menosprezada. Nada que uma boa roda de samba não cure. Mas o carnaval está me dando trabalho, e preguiça. Muita preguiça.
Quero o mar. Ah, como eu o desejo.
Vontade de amar, e ser amada. Desejo de gerar. Filhos, projetos, realizações. Não consigo definir. Desejo de ser mãe, sejá lá do que for.
Pergunto-me se não estou agindo como uma adolescente mimada, e se não estou ignorando o meu papel no mundo. Mas não sei que papel é esse, que lugar é esse, a que eu vim, o que esperam de mim. Comporto-me, às vezes, como uma criança perdida. Outras vezes, como uma velha que se esqueceu de morrer.
Mal humor, euforia, entusiasmos, descrédito. Tantas variações, em tão pouco tempo. Horas.
Quero o céu. E a Lua. Cheia, redonda, imensa. E São Jorge, e o dragão. Eu os quero, inteiros, só para mim.
Se estou eu inteira, já não sei dizer. Sou pedaços, fragmentos, indícios. Em que parte da vida eu deveria estar? Alguém me responda, por favor, porque eu já não o sei
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
E eu encarei todos os meus senões,
vírgulas e reticências,
todos os temores.
E caminhei rumo ao precipício
e me joguei
mesmo sabendo que poderia não haver nada
nada nem ninguém para me segurar lá embaixo.
A vertigem da queda
a delícia do deslocamento
rápido, intenso, confuso
o vento, o tremor do corpo,
o enjôo da vertigem.
A viagem, breve, fugaz
efêmera
e deliciosa.
Agora a lembrança,
a sensação que meu corpo rememora
o tremor, a falta de ar
e a vontade de me jogar de novo.
vírgulas e reticências,
todos os temores.
E caminhei rumo ao precipício
e me joguei
mesmo sabendo que poderia não haver nada
nada nem ninguém para me segurar lá embaixo.
A vertigem da queda
a delícia do deslocamento
rápido, intenso, confuso
o vento, o tremor do corpo,
o enjôo da vertigem.
A viagem, breve, fugaz
efêmera
e deliciosa.
Agora a lembrança,
a sensação que meu corpo rememora
o tremor, a falta de ar
e a vontade de me jogar de novo.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Melancolia tem sido uma palavra muito presente em meu vocabulário, em meus pensamentos, em minha auto-percepção.
Fase, momento, necessidade? Não sei. Só sei que tenho uma vontade imensa de ficar sozinha, quieta, ausente. Parece que tudo faz barulho demais, um barulho à toa, um desperdício de energia.
A vida lá fora me dá uma preguiiiiiça...
Sinto-me às vezes como uma para-raios, uma antena parabólica desregulada, que capta tudo o que não é da sua conta. Sinto um cansaço e uma tristeza que parecem não ser meus, mas me afetam.
O mundo às vezes cansa.
E sei que, daqui há pouco, sem mais nem menos, este sentimento vai embora, eu fico radiante sem ter porquê, e ninguém sequer percebe.
Lua minguante, conjunção astral, hormônios, sei lá. Saudade, carência, desejo de colo, talvez. Só sei que o sentimento é esse.
Fase, momento, necessidade? Não sei. Só sei que tenho uma vontade imensa de ficar sozinha, quieta, ausente. Parece que tudo faz barulho demais, um barulho à toa, um desperdício de energia.
A vida lá fora me dá uma preguiiiiiça...
Sinto-me às vezes como uma para-raios, uma antena parabólica desregulada, que capta tudo o que não é da sua conta. Sinto um cansaço e uma tristeza que parecem não ser meus, mas me afetam.
O mundo às vezes cansa.
E sei que, daqui há pouco, sem mais nem menos, este sentimento vai embora, eu fico radiante sem ter porquê, e ninguém sequer percebe.
Lua minguante, conjunção astral, hormônios, sei lá. Saudade, carência, desejo de colo, talvez. Só sei que o sentimento é esse.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Peixes
Por que eu acho que sempre faço as coisas do jeito mais difícil?
E quando eu não faço, o caminho mais fácil era ter feito...
Ai, alma pisciana!
E quando eu não faço, o caminho mais fácil era ter feito...
Ai, alma pisciana!
domingo, 15 de janeiro de 2012
Ser chuva
Necessidade de transbordar, conjugando o verbo em todas as pessoas e seus tempos.
Eu transbordo, tu transbordas, ele transborda.
No presente, no pretérito perfeito, no gerúndio, no particípio.
Transbordando, sou eu.
No futuro, quem sabe? Transbordarei.
Esparramando, espalhada, repleta, para todos os lados.
Chovendo, pingando, respingando em quem se permitir.
Tempestade numa tarde quente de verão.
Roupa e cabelos molhados, colados no corpo, no rosto, nas costas.
Transbordada.
De mim mesma, que chovo, contrariando a gramática.
Chover é verbo impessoal.
Eu transbordo, tu transbordas, ele transborda.
No presente, no pretérito perfeito, no gerúndio, no particípio.
Transbordando, sou eu.
No futuro, quem sabe? Transbordarei.
Esparramando, espalhada, repleta, para todos os lados.
Chovendo, pingando, respingando em quem se permitir.
Tempestade numa tarde quente de verão.
Roupa e cabelos molhados, colados no corpo, no rosto, nas costas.
Transbordada.
De mim mesma, que chovo, contrariando a gramática.
Chover é verbo impessoal.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Uma conversa despretensiosa me deixou perturbada.
O pensamento vai e volta, encontra situações, busca explicações.
A razão tenta me convencer que nada disso faz sentido, e, mais ainda, não é da minha conta, não me diz respeito.
Mas fico triste. Muito.
Volto às minhas indagações do porque das pessoas fazerem parte da vida da gente. O acaso existe? Ou as linhas já estão traçadas antes de sabermos escrever?
E, se algum dia você teve alguém sob os seus cuidados, basta ir embora?
A distância é tanta, a mágoa foi tamanha, que nem sei se tenho o direito de me preocupar - se é da minha conta. Um sentimento de impotência tão estranho.
Tristeza. Muita.
Minha cabeça vai rodar muito ainda até me deixar dormir esta noite.
O pensamento vai e volta, encontra situações, busca explicações.
A razão tenta me convencer que nada disso faz sentido, e, mais ainda, não é da minha conta, não me diz respeito.
Mas fico triste. Muito.
Volto às minhas indagações do porque das pessoas fazerem parte da vida da gente. O acaso existe? Ou as linhas já estão traçadas antes de sabermos escrever?
E, se algum dia você teve alguém sob os seus cuidados, basta ir embora?
A distância é tanta, a mágoa foi tamanha, que nem sei se tenho o direito de me preocupar - se é da minha conta. Um sentimento de impotência tão estranho.
Tristeza. Muita.
Minha cabeça vai rodar muito ainda até me deixar dormir esta noite.
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